Mais um ano de jogatina (Paro quando quiser, não sou viciado, já parei 10 vezes só esse ano)
Post de início de ano só para não dizer que o blog morreu.
Mais um ano de jogatina passa e mais um começa. Vamos ver até onde essa brincadeira vai.
É muito interessante parar para pensar a respeito do ano que passou e as "conquistas" que rolaram. Os fracassos também, mas esses a gente pensa o ano todo pensando, então é bom pensar no que houve de positivo, para variar.
Eu acho que o termo "conquista" é terrível nesse contexto, do quanto se joga RPG de mesa, é ruim. Daí as aspas. Porque isso é um hobby, não é algo que você deva ficar contando como vantagem ou como foi sofrido fazer isso durante o ano e finalmente ser superado. Não é fazer flexões, não é mais uns dias de sobriedade. É apenas diversão.
Mas acho importante parar para analisar o quanto você de fato exerceu a função principal do hobby, que é se divertir fazendo mesas e jogando o jogo com pessoas que também o querem fazer, em uma certa constância.
Meu ano teve um buraco de alguns meses com o hiato da minha campanha de Arden Vul (que voltou e continua firme e forte, mesmo com as pernas meio bambas). Mesmo com uma parada no meio do ano, conseguimos na prática jogar algumas boas dezenas de sessões.
Mas a minha surpresa foi que eu consegui jogar mais do que mestrar esse ano que passou e com gente que sabe o que faz e tem paixão pelo dnd oldschool. Ou seja, eu não tive que lidar com dramatização nem teorização sobre diegética ou a importância educacional anti(insita sua opressão aqui) nem nada do tipo. Só joguei dnd e foi muito bom. Melhor ainda que foi muito Adnd1e e hacks de 0e, o que torna tudo ainda melhor. Então digo sem ressalvas que foi um ótimo ano na minha jogatina.
Melhor ainda que também faz mais de um ano que parei de me preocupar em "esclarecer" sobre o jogo para quem não está interessado. Pelo menos não em forums aonde o que importa é gritar mais alto e torcer pelas lacradas e likes. Gygax abençoe esse blog por isso. Quem quiser saber minha opinião que aqui o venha. Ou no JACA, já que lá a gente discute sobre o jogo jogado, não sobre situações hipotéticas que nunca (ou quase nunca) acontecem na prática da mesa. Muito menos se seu jeitinho narrativista de ser continua sendo o OSR de verdade com a bênção da comunidade ou do seu guru de estimação.
Esse ano que chega promete ainda mais, só espero que não decepcione pelo fato que esse que passou foi muito bom. Com o lançamento do OSRIC 3.0, o hype só aumenta. O livro do jogador está excelente (mas ainda não substitui o adnd original) e vai ajudar horrores em esclarecimentos e consulta rápida em mesa.
Cada vez mais vou adicionando detalhes mecânicos nas minhas mesas, outros já se tornam mais automáticos, pois a prática vem acontecendo. O misticismo sobre adnd ser lento e injogável caiu completamente por terra e a jogatina anda cada vez mais divertida e consistente.
Não se engane, no entanto, pois não vejo o hobby de maneira geral, especialmente no Brasil, mudando da água para o vinho no futuro próximo. As editoras de livros de uma página estão aí produzindo panfletos desesperadamente para tentar se tornarem relevantes a qualquer custo. Os autores de sistemas que recortam e colam trabalho dos outros renomeiam os termos e se apropriam do original sem o devido reconhecimento continuam com suas produções "originais". Esse karma tupiniquim não vai desaparecer, inclusive prospera como nunca antes prosperou. Mas noto que tem uns gatos pingados se interessando mais pela jogatina oldschool e sem medo de rolar dados. Tem mais gente jogando em vez de ficar filosofando sobre o jogo. Isso é bom. Longe do ideal, mas bom mesmo assim. Eu pessoalmente não me importo. Contanto que tenha gente para jogar, com o mesmo objetivo, estamos em festa.
Então viva o Oldschool, viva o OSR clássico, o CAG e todos os que buscam esses jogos. Sem drama, sem politicagem e sem desonestidade. Esse jogo é muito bom e vai perdurar por muitos anos. Enquanto tiver gente para jogar. Então, joguemos. Conversemos também, mas a partir da prática, não de delírios coletivos. Bom ano, ótimos jogos. Coisas boas virão esse ano. Você ouviu aqui primeiro.
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