Mesa presencial de AD&D1e rápida e (nem tão) mortal.


 

Geralmente nos períodos festivos eu encontro com amigos de longa data para fazer o que amigos fazem melhor: Conversar fiado, falar mal dos outros, reclamar sobre o como a vida só piora e como antigamente era tudo melhor, até que foca nos detalhes e reconhece que não era nada. Jogar RPG na rua, sem livro e ser urinado por transeuntes não é nada divertido (não sem algum tipo de fetiche envolvido, pelo menos). 

Tirando isso, períodos festivos também são para arrumar o que fazer depois que os assuntos acabam, o que geralmente acontece no segundo ou terceiro dia. Daí sobra tempo e falta o que fazer. Então surge aquela ideia de jogar um RPG de leve. 

Nos ultimos anos, especialmente no pós pandemia, eu comecei a estimular a galera a jogar um joguinho simples chamado B/X (incorporado em OSE e LotFP) e deu muito certo. Nas primeiras vezes a gente fez as fichas para eles sentirem como era tudo bem rápido e intuitivo, além de aprenderem as regras básicas do jogo (reaprenderem, porque todo mundo ali conhecia o pós dnd, ou seja, a 3e) 

O material que usei foi: O livro do Classic OSE, lapis, ficha e dados para todos, caderno com grid e um livro com o módulo para mim.  

O que notei ( e reforço que não vai ser geral, mas pelo menos foi assim com esse grupo) foi que a galera quase morreu de tédio na hora de montar a ficha. Não levou nem 20 minutos, mas percebi que já os estava perdendo antes mesmo do jogo começar. Daí o jogo começou. 

Toda hora pediam o livro para ver alguma magia, algum preço de item x ou y, quanto poderiam carregar e etc. O jogo moveu bem, mas eu senti que poderia ser mais rápido. 

Nas sessões seguintes eu adicionei grid de batalha, umas minis vagabundas e fichas coloridas para ilustrar o combate com os monstros, posicionamento e etc. O jogo fluiu ainda mais rápido, pois a magia do teatro da mente nunca funciona muito bem para muita gente. Houve bem menos questionamento sobre posicionamento, distância e etc. 

E cheguei em uma solução de dar ficha pronta pra todo mundo. Fiz o dobro ou o triplo de fichas e mandei sortearem.  Mesmo assim, ainda pediam livro toda hora para ver isso ou aquilo. Depois jogamos um pouco de LotFP, Material praticamente o mesmo e ainda achava que poderia ser mais rápido. Isso começou a me incomodar. Pensei no que poderia ser mais interessante para acelerar o jogo e não tirar a qualidade no processo. 

A longo prazo a questão de ficha pronta não funciona bem, porque eles teriam que passar a ficha para outro papel para gerenciar o loot, a evolução e etc. Tem a questão de que cada vez que invento algum facilitador na mesa, mais complicado é a logística de ficar movendo material por aí. Mas como é jogatina festiva, sem chance de progressão contínua, jogo constante, fiquei feliz. 

Mas daí dessa ultima vez que precede esse texto, eu queria muito jogar AD&D1e presencial com eles, mas me conhecendo, conhecendo a situação limitada de jogo e  conhecendo o grupo, eu sabia que isso não seria tão simples. Mesmo assim quebrei a cabeça e cheguei em uma solução que saiu bem melhor do que o esperado. 

Eu arrumei um escudo do mestre robusto, imprimi várias tabelas (várias mesmo, com o máximo de informação que considero essencial pro adnd rodar) plastifiquei todas, coloquei a maior parte no escudo do mestre e coloquei algumas viradas para eles, especialmente a de equipamento com todas as informações típicas de 1e necessárias, além da matriz de combate. 

Também consegui um livro com apenas as magias de adnd. E foi isso. 

No fim, usei: Escudo do mestre, tabelas, fichas prontas, livro de magias, tokens, grid, mapa em grid para montarem a dungeon, lápis, dados. Detalhe, não dei o livro das regras para eles e nem usei. 

O jogo voou. Foi muito melhor do que o esperado. Especialmente se comparado com as vezes que deixei eles fazerem fichas no OSE ou dei livro para consultarem. Foi uma excelente sessão. 

Foi perfeita? Não, mas nunca é. Mas fiquei muito satisfeito. O ponto negativo foi só ter que montar a mesa, separar as fichas e o material. Mas mesmo assim são apenas alguns minutos pq eu que estou no controle disso e não tem discussão. Ainda deixei cada um escolher um boneco sem sorteio, o que produziu escolhas óbvias, mas não chegou a atrapalhar o jogo e ainda deixou eles mais feliz (galera que vem de 3e resiste muito com seus vícios de min-max) 

O fato mais curioso, reforço, foi que não usei o livro (só consultei tabelas e forneci o livro de magia). Isso, pelo que notei, foi o principal motivo para o jogo não ficar lento. Mesmo com as mesas de OSE, que o livro foi feito para consulta rápida, lentificava um pouco o jogo. Talvez se todos tivessem o livro, não fosse tanto assim, mas aí seria mais trabalhoso (e custoso) do que realmente precisa ser. E usar o livro no celular não é nem de perto vantajoso, especialmente porque são poucos os que conseguem manter o celular perto sem olhar bobagem sem relação com o jogo a cada respirada que dá.  

Como feedback, o grupo me disse que gostou bastante de ter o material fácil e rápido em mãos. Isso só reforçou minha percepção. E nem notaram diferença na complexidade do jogo rodado em comparação ao B/X. Mas claro, a complexidade ficava do meu lado. E olha que rolou weapon speed factor desembolado. Com tabela é imensamente mais simples de fazer tudo rodar. 

Claro, esse relato não é para estimular ninguém a gastar com preparo de jogo. Muitas vezes um papel e lápis, uma calçada, um "pedra papel e tesoura" e urina alheia já proporciona a experiência essencial do RPG. Mas é um relato que serve para mostrar que é possível jogar adnd1e sem tropeçar nas regras e deixar o jogo lento, basta preparo.  

Enfim, fiquei satisfeito (e surpreso). Quem diria que uma mesa de 1e seria mais afiada e fluida do que a de  B/X. Vivendo para ver. 

A seguir o que postei no JACA sobre a sessão em si: 

Sessão maneira de Xyntillan usando adnd1e (com extenso auxílio de tabelas no escudo do mestre.)

Tinha anão guerreiro lvl.2 destruindo com bastarda

Druida lvl.2 com bastão mágico e magia de esquentar metal

 ladrão 2/guerreiro 2 com pancadaria e escalagem.

 E um ranger lvl. 2 que salvou o grupo várias vezes com surpresa 1/6

Grupo tentou entrar pela lateral do castelo mas não foram bem recebidos pelos esqueletos de guarda.

Foram colocados pra correr, então decidiram tentar escalar pela lateral e posteriormente entraram pela outra entrada principal depois de fugir de uma trepadeira maligna na parede do castelo.

Deram um coro num zumbi lesado na entrada, destruíram vestimentas mágicas que poderiam ser muito mais trabalhosas do que foram.

 Trocaram uma ideia com um fantasma de uma velha que fazia poções. Interagiram com pinturas mágicas,

Roubaram uma poção de uma estátua

 Quebraram uma estátua de gesso e um membro da família deitou o ladrão, mas não sem pagar o caro preço com sua vida por se meter com o grupo errado. Seus 4 berserkers caíram em seguida.

Grupo saqueou um caixão, 310 GP do berserker e uma poção. Além de um battle axe +1 Teve até bom. 4 personagens, zero mortes (mas uma baixa do ladrão/guerreiro no fim da sessão)

A sessão durou cerca de 3horas e rendeu muito bem, especialmente por ter tantos encontros que culminaram em combate. (fazendo cair por terra a queixa de que combate em 1e é de forma geral, demorado)



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