Apenas jogue. (E leia as regras, claro)




Postzinho básico só para mostrar que o blog ainda existe. 

Já estamos em março e, como já foi comentado antes em outros posts sobre a consistência de postagens diminuir,  eu não vejo muito motivo para postar aqui. Talvez seja pelo fato de que, depois do lançamento de OSRIC 3.0 não teve muita novidade no campo da parte relevante de D&D (relevante para mim, obviamente). Talvez seja pelo fato de que estou jogando bastante o jogo (2 campanhas de AD&D, uma delas mestrando a quase 4 anos e outra com poucas sessões ainda para dizer muito. E uma campanha de Zylarthen que já completa um ano essa semana). Ou talvez seja pelo fato de que eu simplesmente desisti de frequentar a maior parte de locais "Oldschool" de nossas terras tupiniquins por decidir poupar energia com coisas mais divertidas e produtivas. 

Em relação às novidades, realmente não há nenhum grande projeto para sair de que tenho notícias. Sim, há vários pequenos projetos que borbulham pela cena, alguns muito interessantes, mas esses eu prefiro comentar quando de fato saírem. Mas produtos grandes, como um OSRIC, um S&W ou um ACKS, não tenho notícia para dar. E isso não é ruim, muito pelo contrário. Lançamento anual permanente de sistemas não é bom sinal (observe o lamaçal que é a cena do OSR moderno, ou que se dizem "oldschool" mas que não são). Costumam ser projetos repetitivos com os mesmos sistemas sem nada a acrescentar, geralmente de B/X e quase sempre com regras da casa mal/nunca testadas. Nesse ultimo mês mesmo joguei uma mini campanha usando um dos queridinhos tupiniquins em "oldschool" e Jesus amado, que completa desgraça que é essa coisa. B/X capado que se diz clássico mas que só tem regra da casa narrativista. Foi sofrido. Pelo menos o mestre era de boa e o módulo era clássico. Então deu para tolerar. Claro, todo mundo no mudcore, 3 sessões no nível 1 e etc. Como é típico dessas "maravilhas".  Mas enfim, não é relevante nem citar o nome disso aqui. 

Já em relação à jogatina e motivo real desse post. Parece clichê, certamente é repetitivo, mas definitivamente é a mais pura verdade. Nada substitui o jogar o jogo. É o que mais dá satisfação, é o que menos se vê necessidade de discutir com maluco online. É experienciar a realidade das regras em sua prática em mesa. Nenhum delírio substitui a prática de jogo. E a cada sessão que jogo, a cada progresso que temos nas mesas, vemos o que de fato funciona, o que é delírio e o que deve ser sumariamente ignorado vindo de terceiros. O jogo é muito bom. Excelente as vezes, frustrante de forma moderada, mas sempre compensa. Quando o grupo se respeita e é entrosado, melhor ainda. Tenho muita sorte de ter conseguido grupos bons para jogar e mestrar (sorte e persistência, já que foram mais frustrações curtas em conjunto do que sucessos. Mas o sucesso perdura bem mais). Então nada tenho a reclamar nesse aspecto. Na verdade, se eu não reclamar perco o propósito de existência, então vou encaixar uma queixa básica aqui. 

Não é fácil fechar mesa boa de jogo. Não mesmo. Acho muito curioso, mas entendo perfeitamente o porquê, de mesas terríveis com "sistemas" tenebrosos e estilos mudcore narrativista fechando mesa rápido e fácil. Não acredito que seja só um motivo. Geralmente é proposta popular entre influencers, vem de uma realidade esmagadoramente mais popular entre a criançada que não gosta muito de ler, mas adora lançar mão de termos como background, imersão e etc, o  que é bem a cara a do OSR moderno e colorido. Costumam ser  propostas de mesas super ambiciosa e surreais, chamativas,  que atrai muita gente sugestionável no início, mas não costuma durar muito tempo. É o famoso fogo de palha.  Mas definitivamente eles tem mais "sucesso" nesse aspecto do que eu, sempre foi assim. Mesas boas e duráveis, usando sistemas bons (e muitas vezes fora de moda, já que a moda dura menos que uma campanha de jogo) é sempre mais complicado fechar mesa. Demanda mais do jogador, do mestre, exige entrosamento, exige dedicação de tempo e atenção. Infelizmente, como vemos em todo lugar, a realidade online é de tudo, menos entrosamento, dedicação e disposição e foco em objetivos de longo prazo. Por isso digo que tenho muita sorte. Achar gente com esses objetivos, que sejam realistas e que saibam separar jogo de mundo real, é bastante difícil. Por isso me esforço em continuar jogando mesmo estando sem disposição ou com dificuldades do mundo real de tempos em tempos. Porque eu sei que essas mesas desembolando consistentemente é algo bastante raro. Então me esforço nos dias ruins para participar, para mestrar, porque eu sei que quando isso acabar, vou lembrar que fiz o possível para durar o tanto que durou. 

Enfim, ao terceiro e último ponto. 
Quando você se esforça para jogar, acha seus grupos, se diverte com o que o jogo deve ser, sobra pouco tempo para lidar com tolices diversas. Já fiz textos sobre isso, já fui banido de locais super inclusivos (só que não) por expor isso. Mas a realidade é que muita gente não tem interesse em aprender, para jogar. Muita gente só quer aparecer, dizer que sabe mais do que você (muitas vezes sem nem ler o básico sobre a coisa) e pronto. Nessas conversas, para quem leu e joga o jogo, fica óbvio que muitas dessas pessoas só buscam autopromoção e atenção. E quem frequenta esses locais, não costumam notar muito quem sabe o que fala ou quem grita mais alto, eles buscam quem tem influência e seguem cegamente o que essas pessoas dizem, sem filtrar, sem pensar a respeito. Foi por esse motivo em especial que eu fiz o blog e ajudei a divulgar traduções de textos de gente competente no assunto, para evitar perder mais tempo com gente que não quer aprender e facilitar para quem quer aprender, o fazer e praticar jogando. E nesse ponto, já fiz o que tinha que fazer. Daí não vi mais necessidade de frequentar determinados lugares,  parei de ver o discurso alienado e muitas vezes malicioso de alguns, dúvidas mal esclarecidas de outros e conversas irrelevantes sobre o hobby moderno.  Consequentemente não vejo mais argumentos que carecem de algum esclarecimento, não vejo mais necessidade de fazer posts constantes sobre minhas opiniões sobre temas que nem precisam ser esclarecidos porque não fazem parte da realidade de quem joga o jogo. 

Por esses e outros motivos vejo cada vez menos utilidade em ficar postando coisa aqui. Mas o que disse antes persiste. Quando tiver algo relevante, eu venho aqui e posto. Tem conversas fiadas que ainda chegam a mim terceirizadas, ainda há projetos a serem lançados e sempre surge uma ou outra questão sobre as regras e sua aplicação. Aos poucos estamos aplicando todas em mesa. Mas estamos longe do objetivo que é usar o máximo possível. Quem sabe um dia. Até a próxima!.


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